Esta pesquisa discute algumas relações entre videogames e aprendizagem, analisando suas potencialidades e limites na perspectiva de pré-adolescentes e adolescentes. Mais do que observar jogadores em ação, a ênfase do estudo está em dar a palavra aos jogadores para tentar compreender no que consistem as suas experiências: o que imaginam e o que pensam enquanto jogam; que tipo de consciência têm das estratégias e das formas de interação que usam para jogar; e, sobretudo, que influências referentes aos aprendizados culturais são evidenciadas em suas falas. Desse modo, optou-se por ouvir jogadores na faixa etária de 10 a 15 anos de duas escolas de Florianópolis, por meio da aplicação de questionários e produção de narrativas. Utilizando referenciais teóricos do campo da mídia-educação (Buckingham, Rivoltella, Belloni, Fantin), dos estudos culturais e das mediações (Kellner, Martin-Barbero, Orozco), foi possível identificar tanto as representações dos jogadores sobre os aprendizados cognitivos que fazem a partir dos videogames como os conteúdos culturais acionados a partir dos videogames. Os estudos teóricos e as situações percebidas no trabalho de campo deram sustentação para compreender que, de fato, os videogames podem desencadear diversos tipos de aprendizagem e que essas aprendizagens, além das mediações, dependem de quem joga, quando joga, como joga, o que joga, onde joga, pois os videogames incorporam uma multiplicidade de escutas.